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quarta-feira, abril 09, 2014

gestão de expectativas

que a vida não pára e os «finais felizes» só serão realmente felizes se não tiverem um final

a vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos. este é o melhor retrato da vida. uma visão intemporal que, provavelmente, melhor encaixa em todos nós. eu, e apesar dos meus vários esforços no sentido de evitar a decepção, sei que é impossível pass(e)ar pelos anos sem traçar um objectivo, sem sonhar com um amanhã diferente. inevitavelmente há um risco associado quando se escolhe tirar os pés do chão, mas o que seria das nossas vidas sem voos picados e algumas quedas aparatosas. é verdade que a felicidade de agora pode tornar-se demasiado pesada imediatamente a seguir, mas sem a tentativa como o saberíamos?!? o nosso único problema é a falta daquela mestria que nos permite gerir da melhor forma as expectativas que saem frustadas. a resiliência, não desistir, a fé e a vontade de tentar, sempre, mais uma vez. 

talvez um dos segredos para o sucesso seja investir nos sonhos que dependem exclusivamente de nós próprios. os planos que, em determinada situação, traçamos em concordância com alguém, são muitas vezes condicionados por factores que nem essa outra pessoa pode ser capaz de controlar. partilhar planos com alguém é como fazer equilibrismo em cima de uma corda bamba. e o maior desafio para continuarmos a andar, sem os olhos pregados no chão e o medo constante de cair, não é apenas confiar no outro, é acreditar na primeira pessoal do plural.

quinta-feira, janeiro 02, 2014

da gratidão

❥ o penúltimo dia de 2013 podia ter sido o meu último dia de vida*

*sobre o choque anafiláctico diz a wikipédia “termina geralmente em morte caso não seja tratado”.



era a segunda noite das nossas férias na aldeia de Galende, que já nos conhece tão bem, em Puebla de Sanábria. estávamos a preparar o jantar e eu tinha acabado de comer um kiwi quando senti uma ligeira impressão na garganta e comecei a espirrar ininterruptamente. retirei-me para a casa de banho enquanto tentava perceber o que se estava a passar comigo, mas os restantes sintomas não se fizeram tardar. o corpo todo a fervilhar, o estômago parecia que estava a ser pontapeado, as pálpebras inchadas e foi quando senti a glote a fechar que decidi pedir ajuda.

num minuto estávamos dentro do carro a caminho do centro, mas mais rapidamente ainda comecei a sentir a língua crescer, como se não fosse caber dentro da minha boca. ainda longe, com a respiração cada vez mais fraca e a perder a visão, pedi que chamassem uma ambulância. ainda ouço a mana dizer “vai demorar dez minutos”. naquele momento não acreditei que fossem chegar a tempo e pensei que ia morrer. não chorei, não vi a minha vida em flash, apenas tentei continuar serena e continuar a lutar para respirar.

a ambulância não terá demorado mais de três-quatro minutos, mas já terei entrado nela ao colo por ter perdido os sentidos. à chegada ao centro de saúde senti medo, não percebia o que me diziam, mas acabei socorrida por duas equipas fantásticas, levei oxigénio, injecções de adrenalina e mais umas quantas drogas para reverter o quadro clínico grave.

quando sai da sala para ser transferida para o hospital, e o médico pediu aos meus manos para se despedirem de mim, soltei a primeira lágrima ... sentia-me um farrapo, mas estava viva. no hospital seguiram-se exames, mais medicação e uma noite em observação, com o mano sentado ali numa cadeira, outro amigo na sala de espera e o restante grupo, de coração apertadinho de preocupação, a mais de 100 km dali.

algumas horas depois da alta, a comemorar a meia-noite, mas ainda abananada com tudo o que me tinha acontecido, não pedi nenhum desejo para 2014, apenas agradeci a felicidade de ter aquelas, as minhas pessoas do coração, ao meu lado. do novo ano espero o melhor, porque depois deste trambolhão só podem chegar coisas boas.



aos meus amigos o obrigada mais sentido e aos médicos ainda estou a tentar encontrar as palavras (em espanhol é mais difícil) para lhes enviar a agradecer o facto de me terem devolvido a vida e todo o carinho com que me trataram.  

terça-feira, setembro 17, 2013

mantra

❥ "Se nada mudar, invente.
E quando mudar, entenda.
Se ficar difícil, enfrente. 
E quando ficar fácil, agradeça.
Se a tristeza rondar, alegre-se. 
E quando ficar alegre, contagie.
Se o caminho for longo, persista. 
E quando chegar, comemore.
Se achar que acabou, recomece. 
E quando recomeçar, acredite!"